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É preciso unir ideologias e correntes políticas para tirar Brasil da crise

Poder 360
10 de julho de 2018
Artigo de Aldo Rebelo

As primeiras tarefas do presidente eleito em outubro, seja ele qual for, deverão ser ações de governo, em conjunto com a sociedade, para criação de empregos, redução da desigualdade social e restabelecimento do convívio democrático.

Na trajetória dessa empreitada pelo desenvolvimento e a democracia, impõe-se a compreensão de que a crise de natureza econômica, social, política, institucional e até de valores que esgarça e agita a sociedade brasileira, exige a união das diversas correntes políticas e ideológicas para sua superação.

Tanto quanto dividido, o Brasil está desorientado. A primeira conquista que se impõe é o reconhecimento de que o interesse nacional precisa ser entronizado acima de quaisquer outros. E a pedra de toque desse interesse assenta-se muito além da arena internacional, pois fundamenta-se em um projeto nacional-desenvolvimentista baseado na união até de forças heterogêneas para forjar um ambiente de prosperidade e bem-estar material e espiritual da população.

A eleição presidencial deste ano é o instrumento perfeito para amansar as vozes turbulentas que inflamam, já não o debate político, mas a gritaria de surdos em que todos se ofendem e se ignoram.

De tão radicalizadas e multifacetadas, ideias e posições não têm condições de conquistar hegemonia em um país complexo e carente de transformações profundas que só um esforço conjunto pode produzir.

A grande vitória eleitoral não será do candidato de um partido ou mesmo de coligação afinada ideologicamente, nas forças de centro, direita e esquerda que se destacam no espectro eleitoral.

O triunfo saneador será de uma candidatura que reúna os predicados essenciais à condução do país na senda da pacificação e do progresso. Essa trajetória de resgate do sentido de Nação, em que sobressai o bem comum, desenha-se como apelo eleitoral, desde que baseado em um programa de valorização do Brasil e dos brasileiros.

Em recente Manifesto pela União Nacional, configurei a epopeia bem-sucedida de construção de um País que investiu na solução dos problemas sociais, mas que hoje precisa empreender um movimento acelerado para consolidação de três objetivos:

“1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País;

2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas;

3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.”

Há muitos falsos dilemas a remover desse caminho. Um deles é o que opõe, em determinados círculos, Estado e iniciativa privada. Nenhum país atingiu alto grau de desenvolvimento baseando-se nessa falsa premissa. Ao contrário, os dois entes caminharam juntos, ignorando as futuras “lições de casa” que hoje tentam nos impingir com o argumento de que o papel do Estado é regulamentar e administrar conflitos, e o do “mercado”, promover crescimento econômico.

O Brasil precisa de mais Estado, para assegurar a isonomia republicana e induzir o desenvolvimento, e de mais “mercado”, para produzir riquezas que beneficiem toda a população.

Sem crescimento, jamais sairemos da crise. A expansão da economia implica produção, emprego, salários, renda, impostos, divisas. Precisamos crescer para arrecadar mais e aumentar o investimento público.

Sem recursos, não podemos investir na solução dos graves problemas sociais que desesperam amplos setores da população. Sem crescimento, não há recursos para as tarefas delegadas ao Estado, a começar da provisão dos serviços de saúde, educação, segurança e outras políticas públicas que resultem em efetiva consolidação da democracia e dos direitos sociais.

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