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Brasil vive anarquia institucional

Um dos políticos mais experientes do Brasil, Aldo Rebelo avalia que o país vive uma espécie de anarquia institucional. “Hoje, você não sabe quem manda no país, se é o juiz, o deputado, o delegado, o promotor ou o presidente da República”, argumenta. “É a judicialização da política e a politização da Justiça, os juízes vão decidindo no lugar dos políticos. “É uma situação difícil. Espero que com um presidente eleito, com legitimidade, essa situação regrida”, afirmou, em visita ao Jornal da Orla.

Jornal da Orla / Baixada Santista (SP)
Marcos Santana
30 de junho de 2018

Deputado federal por seis mandatos, presidente da Câmara Federal, ministro de quatro pastas (Coordenação Política e Relações Institucionais, Esporte, Ciência e Tecnologia e Defesa), o jornalista por formação Aldo Rebelo está convencido de que sua trajetória política o credencia a disputar a eleição para presidente da República. Ele é pré-candidato pelo Solidariedade (SD).

Tripé eleitoral
Aldo Rebelo explica que sua candidatura defende três pilares básicos: retomada do crescimento, redução de desigualdades e fortalecimento da democracia. “Eu aprendi uma coisa: quando o país cresce, você tem dinheiro para tudo. Quando não tem, há apenas a cultura da reclamação. Quando o país volta a crescer você tem receita, tem dinheiro para Previdência, recursos para estados e municípios, gera emprego. Você precisa ter investimento público e estimular o privado e desestimular os obstáculos aos investimentos privados, que no Brasil são grandes”.

Redução das desigualdades
Para combater as desigualdades, Aldo defende investimentos maciços na educação. “Em São Paulo, tem escolas com mensalidades de R$ 15 mil e não há vagas, com fila, escolas de alta qualidade, e tem também escolas públicas onde a criança sequer aprende a ler. Tem que melhorar as escolas públicas para que as desigualdades não permaneçam tão grandes”.

Busca do consenso
Aldo considera que o Brasil vive um momento de extrema intolerância e ódio. “As pessoas não aceitam que as outras pensem diferente. Estamos perdendo essa capacidade de convivência e aí se perde a capacidade de enfrentar os problemas. Como vai encontrar a melhor alternativa se aqueles que têm as alternativas se tratam como inimigos?”.

Para ele, a solução é encontrar uma agenda central do país. Ele exemplifica com a redução das desigualdades. “O empresário quer uma mão de obra mais qualificada, que a educação melhore, que a saúde melhore. Você pode ter uma agenda que reúna amplas forças. Você não pode dividir o país entre pretos e brancos, por gênero, não que essas contradições não existam e não sejam importantes, é que elas não são importantes para o país”.

Corporativismo
Aldo também promete lutar contra o corporativismo. “A Constituição brasileira precisa passar por um processo de atualização para reduzir abusos que algumas corporações lamentavelmente receberam como direito e transformaram em privilégio. Isso precisa ser corrigido”, diz. Segundo ele, isso passa por uma atuação efetiva do Congresso.

Bolsonaro
Aldo Rebelo avalia que o desempenho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas eleitorais (lidera, quando o ex-presidente Lula não figura entre as alternativas) é resultado da preocupação do eleitor com a questão da segurança pública. “É uma interpretação equivocada dizer que o eleitor que escolhe o Bolsonaro é de direita, fascista. Pode ter uma pequena parte de gente mais conservadora, mas acho que a maior parte é gente preocupada com a questão da segurança. Essas pessoas acham que a candidatura de Bolsonaro é a única que trata esse tema com destaque. Com o passar do tempo, quando as outras candidaturas passarem a expor a sua visão, isso tende a se diluir mais e disputar esses votos”.

Aposta em Marcio França
Na disputa pelo governo de São Paulo, Aldo avalia que o quadro ainda está indefinido, mas ele acredita que a candidatura do atual governador, Marcio França (PSB), tem grandes chances de crescer. “É o candidato mais forte, e quando se tornar conhecido vai ter uma rejeição muito menor do que os demais”, conclui.

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